- Natureza Viva
- Calem a boca, falsos amantes!
- Destruindo mundos
- Shakespeare pra Bruninha
- Não temendo a timidez
- "Não fique triste", uma banana!
- As duas formas de amar
- Amores de conveniência
- Lemas e dilemas
- Mulheres de Rubens e liberdade dos lipídios
- Lemas e dilemas

 

Natureza Viva

Já experimentaram fazer de suas vidas uma obra-de-arte? Então vamos lá, não importa o estilo. Misturem bem as cores, use com bastante emoção o jogo de luz e de sombras. Sombras são necessárias para que luzes existam. Agora a textura, tem que haver textura. Vão lançando suas histórias sobre a tela, todo o sentimento, todas as dores, os segredos da psiquê, as esperanças (a esp'rança é um dever do sentimento - F.P.), o bem, o mal. Borrões vermelhos, azuis, amarelos, iridescentes e indecentes, conforme sua temperatura de cor. Não importa se o formato está muito abstrato, o sentir tem muitas partes etéreas, voláteis, indefiníveis mesmo. Sobre a tela, o abstrato vai poder, ao menos, gritar que é abstrato. Algumas histórias têm formas definidas, são figurativas. Outras são impressionistas e, as mais intensas, expressionistas - precisam deformar a realidade. Os traços surreais ficam sempre bem, trazem a estética da loucura libertadora, aquela que não adoece. Ah! A profundidade ! A profundidade já vem carregada de arte, de existência catártica. Imprescindível ter profundidade, pela idéia de dimensão. Quando pintamos a felicidade, na maioria das vezes, a obra vai assumir um aspecto ingênuo, naïf, em composição harmônica. O desespero já vem com tons mais berrantes, pois grita muito em suas cores, geralmente quentes. Há mil formas de se retratar a vida. Monocrômicas, policrômicas, tudo faz sentido... E também há (por que não?) uma tela em branco, esperando por suas tintas. E isso não é menos arte, desde que exista uma tela (a vida), suas tintas (o sentir) e, acima de todas as coisas, a vontade criadora. A vida precisa valer a pena. Peguem sua paleta, misturem as cores e comecem, tantas vezes quanto necessário, a recriar suas histórias, dando-lhes forma, cor, marcando a vida com a sua própria impressão.

Esta metáfora foi criada para explicar a mim mesma, e a quem mais couber, a importância da auto-representação criativa em um mundo globalizado, que se torna cada vez mais decadente, sem cor, sem grandes histórias, sem pessoalidades e sem consistência.

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Amores de Conveniência

Ela não queria. Ele se chegou. Ela se esquivou. Ele perguntou. Ela não disse que não. Nem que sim. Ele foi ficando. Ela foi deixando. Ele queria. Ela não queria. Mas também tanto fazia. Ela tinha o pensamento longe. Ele estava ao lado. Ele estava amando. Ela acostumando. Ele a contemplava admirado. Ela não se admirava. Ele se inquietava. Ela acomodava. O coração dele batia forte. Ela não ouvia. Coração ensurdecera. Todo o resto era confortável. Confortável... nada a temer. Nada a tomar. Nada a tremer. E a vida assumiu ares tão normais quanto o oxigênio. Ela até parecia feliz. Ficava mais atraente nessa versão. Um dia, talvez, quem sabe, o coração volte a ouvir. Enquanto isso, ele bebe caipivodka e ela licor de *mente*.

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Destruindo Mundos

Quem quiser nascer de novo tem que destruir um mundo... Resta-me apenas nascer mais uma vez... Por que o processo de demolição de um mundo é tão rápido em relação à sua concepção, criação e instauração? Por que quebrar é sempre mais fácil do que reconstruir? Desfaz-se em dias, horas, minutos até, o que se elaborou durante anos. Sopra agora um vento que assola todo o meu reino, minha Antártida, Pompéia. Tudo me escapa das mãos, e, quanto mais tento deter meu mundo, meus laços, meu chão, mais eles se transformam em areia, fragmentando-se na mesma medida em que tento detê-los. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo... Não há mais escolha: tenho que nascer. E, enquanto o parto não acontece, assisto à devastação de minhas terras, tentando salvar o único grão de areia que me permitirá construir o novo mundo: o grão de minha própria essência. Agarro-me combalida a um tronco remanescente enquanto o vendaval lança tudo pelos ares. O tronco é o princípio do ser. E vai impedir que esta última semente feneça em meio ao caos. A ave voa para Deus... E esse deus se chama Abraxás...(Hermann Hesse) E o novo mundo há de ser bom... Agüentar o tranco !

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Shakespeare pra Bruninha

Como explicar um dos mais lindos sonetos de Shakespeare pra Bruninha, minha aborrecente preferida?

Soneto CXVI

Ao casamento de almas verdadeiras
Não haja oposição. Não é amor
O que muda à mudança mais ligeira
Ou desertando, cede ao desertor.
Oh, não, que amor é marca muito firme
E nem a tempestade o desbarata;
É estrela para a [Nau], que o rumo afirme
Valor ignoto - mas na altura exata.
Não é do Tempo mera extravagância,
Amor, embora a foice roube o riso
À face e ao lábio rosa; na constância,
Resiste até o Dia do Juízo.
Se há erro nisto e assim me for provado,
Nunca escrevi, ninguém terá amado.



Adaptado pra Bruninha

Fala sério, quando a parada é chapa quente
Não tem pisada de bola. O lance é furado
Quando neguinho dá mole
Ou, vazando, baixa a crista pro péla-saco.
Nem vem, que esse tal de love é uma viagem sinistra,
E nenhum tsunami pode melar;
É botar na fita e aloprar
Não cai a ficha, mas é um lance animal.
Num é mero vacilo do tempo,
Love, mermo que pinte a maior deprê,
E se amarre um bode, segura de boa,
Até o dia da rave final.
Se há vacilo nisso e pintar sujeira
Na moral, nunca escrevi
E a galera nunca terá ficado,
Demorô!

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As Duas formas de amar

"Na languidez amorosa, algo se vai, sem fim; é como se o desejo não fosse outra coisa senão essa hemorragia. Eis o cansaço amoroso: uma fonte que não é saciada, um amor escancarado. Ou ainda: todo meu Eu é puxado, transferido para o objeto amado que toma o lugar dele: a languidez seria essa passagem extenuante da libido narcísica à libido objetal. (Desejo do ser ausente e desejo do ser presente: a languidez suprime os dois desejos, ela coloca a ausência na presença. Surge daí um estado de contradição: é a 'queimadura suave'.)" - Roland Barthes, in Fragmentos do Discurso Amoroso

Vou falar de amor (ó, pretensão!). Esse temazinho tão pouco explorado, não é mesmo? ;) Não sei por que vou falar de amor, com tantos assuntos fervilhantes pós-modernos. Mas vou falar de amor.  Talvez até para aproveitar este árido intervalo em que não ando flexionando o verbo amar em minha existência. Amando, não poderia eu falar de amor.

Refletia sobre duas formas de amar. A primeira, que chega abruptamente, como uma labareda, ardendo, rompendo, rasgando, devastando os sentidos. Condicionado à tirania das emoções de alta voltagem, esse tipo de amor sempre se acredita como a mais absoluta e hiperbólica das experiências, e tende a aprisionar o outro em um único universo de dois incandescentes habitantes, que se consomem solitários dentro de seu círculo fechado, que nada abriga além de dois ébrios mortais. Prazeres e dores são sentidos visceralmente na mesma intensidade. O tempo, para essas erupções delirantes, é sempre muito curto, e acaba criando, em seu decorrer, amantes extenuados, esgotados, sugados. As chamas costumam ser rápida e dolorosamente apagadas, e tudo se transforma em cinzas em pouco tempo.

A segunda forma de amor, mais humilde, mais distraída, mais natural, chega devagar, sem que se perceba. Chega ao longo do tempo, às vezes de muito tempo. É pavimentada através do conhecimento mútuo, sem pressa, sem a intenção sequer de ser amor. Não conheceu hipérboles ou lirismos megalômanos, não conheceu a posse. Criou-se natural, na sucessão de pequenos prazeres e risos, no histórico de dores confidenciadas, de trocas de experiência. Veio do encontro livre de almas afins. Não berrou, não gritou, nada cobrou, nada quis pra si. A presença, ou memória de presença, era sempre suave e passeava em liberdade. As ausências eram bem suportadas, como se houvesse no ar a certeza de novos reencontros. Esse amor não se trancou, egoísta, num universo único. Multiplicou-se em si e transbordou ao mundo. Percebeu, subitamente, que o tempo fortalecera seus laços, de forma tal que as ventanias não haveriam de devastá-lo facilmente.

São duas formas de amor. E "qualquer maneira de amor vale a pena".

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Calem a boca, falsos amantes!

Calem a boca, falsos amantes! Há muito barulho em torno do nada. Eternas promessas, incandescentes palavras, irretocáveis ficções. Tenho observado vocês, falsos amantes, que parecem gostar mais da história do que do amor. Ambiciosas palavras, dores induzidas, ímpetos irrefreáveis. Dramas. Tramas. Ruídos. Não me venham com argumentos hiperbólicos do tipo "tenho o amor maior do mundo!!".

Recolham-se à sua insignificância de meros pares que nada pretendem além da auto-descoberta. Calem a boca, falsos amantes! Pois que a mais bela das palavras, ou a mais trágica dramaturgia, não se compara à grandeza de uma atitude. Qualquer atitude, qualquer agir. Gritem seu amor fazendo e construindo! Abandonem o esconderijo das palavras, dos enredos, dos jogos, das canções, ilusões, contradições. E eu não mais lhes chamarei "falsos amantes". Nem tampouco pedirei que calem a boca, sempre cheia de histórias que não querem acontecer para além das literaturas, do imaginário.A vida é o querer profundo, e a verdade de um querer, só e apenas ela, é que faz o acontecer, faz o fazer, o fazer acontecer. Enquanto isso, calem a boca, calem a boca... Vocês fazem muito barulho com ventanias vazias.

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Mulheres de Rubens e a liberdade dos lipídios

Vejam as mulheres de Rubens. A perfeição de suas imperfeições. Há menos vaporosidade nelas pelas celulites abusivas, pelas barriguinhas proeminentes? São menos mulheres por não terem corpos esculpidos em academias e clínicas? Falta-lhes poesia, harmonia, por causa dos lipídios em liberdade? Um homem moderno, como a maioria de meus amigos do sexo oposto, escravos irrecuperáveis da carne, diria: "Oh, são belíssimas, desde que não saiam das telas!"

Tá bem, o tempo era outro, Rubens era barroco e este era o padrão estético da época. Um padrão sem padrões talvez, orientado pela própria natureza, que atuava livre sobre carnes e peles. Mulheres barrocas não precisavam sentir vergonha de suas formas. Não existia então a ditadura implacável e geométrica do corpo, o apelo das academias, nem recursos artificiais de última geração, químicas mirabolantes, silicones mil, essas coisas que acabam nos roubando a identidade corporal, a inscrição do tempo e da história em nossa real expressão. Ah, como eu gostaria de ser uma dessas mulheres de Rubens, despreocupadas e livres de medidas. Não tomaria uma ruga como ofensa, mas como carícia do tempo. Não amaldiçoaria as celulites nem o prenúncio de uma barriga que começa a ameaçar. Não brigaria com a flacidez que tira, dia a dia, a firmeza do corpo, onde ainda teimo em achar alguma poesia. Exercito-me para aceitar e até gostar de cada parte que o tempo deslocou ou deformou, orgulhar-me mesmo dessas imperfeições porque são minhas e me tornam humana.

É... todo esse discurso foi para encontrar um contexto onde eu pudesse colocar minhas celulites. Encontrei. Benditas mulheres de Rubens. A propósito, já inventaram plástica para o cérebro? Aí estaria eu exterminada, as "deusas do silicone" seriam perfeitas, seres fantásticos. Acontece que, como o cérebro é um órgão interno, cuja forma e estética os olhos não alcançam, provavelmente as "divindades de oficina" não se esforçariam para restaurar este simples acidente anatômico - ironicamente, um dos maiores responsáveis pelo tesão. Então, minhas amigas de lipídios extras e alguns neurônios, ainda há chances.

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"Não fique triste", uma banana!

- Ei, não fica triste, não! Não faz drama, vai. A vida é bela!

ERRADO!

Minha experiência e um analista amigo meu dizem que esta é uma frase freqüente de se falar ou ouvir, e também a mais cruel, apesar das boas intenções nela contidas.

Por quê?

Porque uma tradução mais profunda de frases como esta expressaria algo mais ou menos assim:
- Não fique triste, seu problema não é importante, a tristeza incomoda, atropele seu caos existencial, vista uma fantasia de gente bem sucedida, porque não posso ou não quero entender o que você está sentindo, nem muito menos sentir com você.

Pode não parecer mas, em muitas vezes, é exatamente assim que o outro recebe a mensagem. A sensação é de que nossos problemas são subestimados, que devemos manter sempre o status de "winner" estampado no rosto, que não podemos fraquejar.

Lembrei do quanto passaram-me a mão na cabeça, quando criança, e disseram: "não chore não, filhinha, isso é bobagem!". Jamais souberam do quão frustrante isso me soava. Talvez eu quisesse ser percebida, talvez eu quisesse que entrassem no meu pequeno mundo, com o meu "pequeno problema" dentro. Mas pequeno pra quem? Não importa o tamanho exato de um problema ou de uma criatura, mas as dimensões desses dissabores e as proporções em que são vividos. O que parece pequeno para alguns pode representar um tsunami para outros.

Nada mudou muito, tudo se repete. Continuo a ouvir, sempre que tenho um problema, a mesma frase bem intencionada. Passar a mãozinha "generosa" sobre a cabeça de alguém que realmente sofre e dirigir-lhe palavras de ânimo nem sempre é psicologicamente saudável.

Hoje, com essa sacação providencial, prática e teórica, ao ver alguém triste, costumo dizer:

- "Fique triste, sim! Eu sei o quanto isso deve ser duro pra você. Você tem todo o direito de ficar triste e eu vou torcer para que tudo acabe bem. Se quiser falar sobre isto, gostarei de ouvir."

É uma forma de estar dizendo a essa pessoa que estou com ela, que estou dando importância aos seus sentimentos, que a percebo, enfim. Provavelmente, é tudo o que ela anseia ouvir, e, pela lógica, irá se sentir mais aliviada, por saber que é possível ficar triste sem incomodar terceiros, que pode processar suas "encanações" em paz, que pode ser ouvida.

É muito importante para o outro se fazer representar. E nem sempre essa auto-representação acontece nas formas fáceis, simples e tradicionais que a gente deseja. Nem sempre a vida acontece ao estilo easy digest.

Então: Fique triste,sim! Ou: Fique feliz, sim! Fique do jeito que é seu, no momento que é seu. Eu posso receber o que você quer transmitir.

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Não temendo a timidez

Quanto, por vezes, não se deixa de dizer, quanto não se deixa de mostrar, quanto não se deixa de viver por conta dessa tal timidez? E, no entanto, os tímidos costumam ocultar um rico e vastíssimo universo de vivências acumuladas não confessas. Por serem tímidos, talvez sintam com mais intensidade tudo o fica guardado dentro de seus subterrâneos.

Quase todo mundo, acredito eu, tem sua fração de timidez, quando não o todo. E essa senhora acontece sob diversas formas, variando de criatura a criatura. E sabe ser enganosa. Às vezes, um indivíduo pode se sair muito bem em público, interpretar uma espécie de personagem, e, na hora de falar de si mais reservadamente, é acometido por rubores e tropeços, começa a gaguejar e não sabe onde colocar as mãos. Acho que este é mais ou menos o meu caso (e o caso de muitos). Aprendi a trabalhar a timidez no circo social, que é bem mais fácil, porquanto mais superficial. No entanto, se alguém me chama num canto para assuntos de maiores pessoalidades, ou quando tenho de expressar algum tipo de emoção direta a quem quer que seja, sai tudo errado. A ternura se transforma em piada, o sentimento em risinhos extemporâneos e desvios de olhares. Isso quando não apelo para um acervo de fúteis recursos, que vão do palavrão às citações filosóficas. E, no final, o que tinha mesmo de ser dito volta à vertente interna onde foi gerado e possivelmente acaba se transformando em um poema perdido.

Há os tímidos de tudo, que demoram a se deixar conhecer e que, ao final de um bom pedaço de tempo, acabam por se nos revelar um feliz acontecimento. Isto é, quando conseguimos criar esse tempo de conhecer o outro, hoje cada vez mais escasso. Há os tímidos situacionais, muito "safos" em alguns contextos e profundamente "bichos do mato" em outros. Enfim, timidez não é algo assim multiforme e de amplo espectro. Quase todos a experimentam, de uma ou de outra forma. E não chega a ser uma deficiência ou limitação. Até pode vir a se tornar um limite, quando rouba de nós as grandes oportunidades, quando nos imobiliza de todo, ou quando não sabemos conviver com ela. Mas, se a timidez é tão somente um jeito de ser, não temos de perder muito tempo lamentando por ela ou tentando "consertá-la". Ela não é um defeito. E pode ficar tão bonita quanto uma pintura de aquarela, se bem trabalhada. Pensando bem, até os deuses devem ser um pouco tímidos, e talvez seja esta a razão de não mostrarem suas verdadeiras faces aos mortais.

Acho que todos somos um pouco tímidos diante do desconhecido. O grande desafio está em enfrentarmos esse desconhecido. Não deixar que esse "bicho papão" nos transforme em "bichos do mato".

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Lemas e Dilemas

E agora? Faço o quê? Vou pra direita? Pra esquerda? Pra cima do muro? Pro meio da praça? Pra dentro da toca? Pra debaixo da mesa? Hein? Faço o quê? Não me olhem assim! Nunca tiveram dilemas? Trilemas? Multilemas? Retiraram as placas da minha highway e eu nem sequer sei se estou na contramão. Invoco Snoopy, meu guru para as horas confusas, e ele diz: - Em caso de dúvida, mantenha a pose. Tá bem, mantenho a pose. Visto o modelito "sou o must, sou fodona!" e imprimo ao rosto aquele ar de profundo desprezo pela vida mortal. E agora? Faço o que com a pose, Snoopy? Estou imobilizada nela. A pose só resolve o problema da imagem aos olhos do mundo, não resolve o meu problema. Faço o quê? Invoco Shakespeare, e ele me diz que o dilema hamletiano de "Ser OU Não Ser?" ainda é bem melhor do que o problema de "Ser E Não Ser". Fico com o dilema. Faço nada. Deixo a vida acontecer ou desacontecer. Enquanto isso, vou tomar um suco de laranja e ouvir a guitarra mágica de Pat Metheneny. Conhecem? É 'muito ótimo' !

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